{"id":4842,"date":"2019-06-06T16:25:01","date_gmt":"2019-06-06T19:25:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/?p=4842"},"modified":"2019-06-10T18:27:50","modified_gmt":"2019-06-10T21:27:50","slug":"santos-o-principio-daquilo-que-foi-a-revolucao-cubana-prepara-as-pessoas-para-uma-solidariedade-bem-maior-que-a-nossa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/noticias\/santos-o-principio-daquilo-que-foi-a-revolucao-cubana-prepara-as-pessoas-para-uma-solidariedade-bem-maior-que-a-nossa\/","title":{"rendered":"Santos: &#8220;o princ\u00edpio do que foi a revolu\u00e7\u00e3o cubana prepara as pessoas para uma solidariedade bem maior que a nossa&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong><em>Em entrevista, professor Nelson Garcia Santos aborda temas da revolu\u00e7\u00e3o cubana e do ciclo de debates sobre o tema que est\u00e1 ocorrendo em Blumenau<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"819\" data-attachment-id=\"4848\" data-permalink=\"https:\/\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/noticias\/santos-o-principio-daquilo-que-foi-a-revolucao-cubana-prepara-as-pessoas-para-uma-solidariedade-bem-maior-que-a-nossa\/attachment\/nelsongarciasantos01-1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/NelsonGarciaSantos01.1.jpg?fit=1953%2C2077&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1953,2077\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;2&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;Moto Z (2)&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1559050448&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;3.75&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;301&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.0333333333333&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"NelsonGarciaSantos01.1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/NelsonGarciaSantos01.1.jpg?fit=770%2C819&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/NelsonGarciaSantos01.1.jpg?fit=770%2C819&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/NelsonGarciaSantos01.1.jpg?resize=770%2C819&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4848\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/NelsonGarciaSantos01.1.jpg?resize=963%2C1024&amp;ssl=1 963w, https:\/\/i0.wp.com\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/NelsonGarciaSantos01.1.jpg?resize=141%2C150&amp;ssl=1 141w, https:\/\/i0.wp.com\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/NelsonGarciaSantos01.1.jpg?resize=770%2C819&amp;ssl=1 770w, https:\/\/i0.wp.com\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/NelsonGarciaSantos01.1.jpg?resize=768%2C817&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/NelsonGarciaSantos01.1.jpg?resize=600%2C638&amp;ssl=1 600w, https:\/\/i0.wp.com\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/NelsonGarciaSantos01.1.jpg?resize=1320%2C1404&amp;ssl=1 1320w, https:\/\/i0.wp.com\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/NelsonGarciaSantos01.1.jpg?w=1953&amp;ssl=1 1953w, https:\/\/i0.wp.com\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/NelsonGarciaSantos01.1.jpg?w=1540&amp;ssl=1 1540w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><figcaption>O professor foi o convidado da Assembleia Tem\u00e1tica promovida pelo SINASEFE Litoral em Blumenau<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A <a href=\"https:\/\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/noticias\/assembleia-define-paralisacao-nesta-quinta-30-de-maio\/\">\u00faltima assembleia do SINASEFE Litoral<\/a> recebeu o Professor da FURB e doutorando em Pol\u00edticas P\u00fablicas Nelson Garcia Santos para um debate tem\u00e1tico sobre o processo revolucion\u00e1rio cubano que completou, em 2019, 60 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor vem organizando um <a href=\"https:\/\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/noticias\/debates-marcam-60-anos-da-revolucao-cubana-em-blumenau\/\">ciclo de debates sobre o tema<\/a>, com apoio do SINASEFE Litoral. Na assembleia do sindicato ele inicialmente conduziu uma breve introdu\u00e7\u00e3o ao tema, transcrita abaixo, e na sequ\u00eancia  respondeu algumas quest\u00f5es sobre Cuba, seu objeto de estudo no doutorado, o socialismo naquele pa\u00eds e sobre as atividades do ciclo.  Confira! <\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><strong>Abertura do debate<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Depois que retorna do M\u00e9xico ap\u00f3s ser exilado por ter coordenado o Movimento Revolucion\u00e1rio 26 de Julho, que tentou sem sucesso tomar dois quart\u00e9is do ex\u00e9rcito cubano, Fidel Castro coordena o processo revolucion\u00e1rio na ilha em 1959.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse processo pode ser dividido em per\u00edodos. O primeiro per\u00edodo \u00e9 o da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-burguesa, aonde se tentava implantar aquilo que a CEPAL, Comiss\u00e3o de Estudos para America Latina, propunha: a industrializa\u00e7\u00e3o, a substitui\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es, desenvolvimento das tecnologias. <\/p>\n\n\n\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o vai nesse sentido, de colocar em pr\u00e1tica o que a CEPAL determinava, que era o que aglutinava a esquerda na \u00e9poca: proporcionar o desenvolvimento via industrializa\u00e7\u00e3o em separado das grandes pot\u00eancias imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Vinte meses depois do in\u00edcio dessa revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 que ela se torna socialista devido \u00e0s press\u00f5es que os Estados Unidos exercem em Cuba. Uma das principais delas quando a CIA consegue organizar um grupo que invade Cuba atrav\u00e9s da Nicar\u00e1gua e coloca uma bomba em um aeroporto cubano. Mais de 50 pessoas ficam feridas e sete morrem. No enterro delas, Fidel afirma ent\u00e3o que a revolu\u00e7\u00e3o a partir dali \u00e9 socialista. A partir da\u00ed, vinte meses depois de 1\u00ba de janeiro de 1959, se assume a revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Estados Unidos intensificam ent\u00e3o o bloqueio ao pa\u00eds e esse ent\u00e3o \u00e9 o segundo momento, da revolu\u00e7\u00e3o socialista, que se desenvolve com o apoio da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. A partir de tecnologia, maquin\u00e1rio, com Cuba tamb\u00e9m aumentando os investimentos em industrializa\u00e7\u00e3o e importa\u00e7\u00e3o de tecnologia russa. Ou seja, o imperialismo sovi\u00e9tico aterriza em Cuba de uma forma bastante interessante. <\/p>\n\n\n\n<p>Isso segue at\u00e9 1987, 1988, quando o socialismo sovi\u00e9tico entra em crise, cai o Muro de Berlim e Cuba fica desamparada e passa a viver dois bloqueios: o bloqueio estadunidense e o bloqueio da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. A ilha fica numa situa\u00e7\u00e3o bastante prec\u00e1ria e esse per\u00edodo, a partir de 1987 at\u00e9 2000, fica rotulado como &#8220;per\u00edodo especial em tempos de paz&#8221;, um per\u00edodo muito pesado. As pessoas n\u00e3o conseguiam passar a noite dentro de casa, porque n\u00e3o tinham energia el\u00e9trica, n\u00e3o tinha ventilador, dormiam do lado de fora para pegar uma brisa da rua. Havia problemas de abastecimento alimentar. Ali\u00e1s, Cuba nunca resolveu o seu problema de depend\u00eancia alimentar externa. <\/p>\n\n\n\n<p>Esse &#8220;per\u00edodo especial&#8221; foi bastante cruel, o que exigiu do governo revolucion\u00e1rio algumas a\u00e7\u00f5es que se voltaram para a iniciativa capitalista, como a ado\u00e7\u00e3o do trabalho privado, do trabalho individual e o incentivo a algumas cooperativas urbanas. O governo vai desenvolvendo o que, segundo as pessoas que entrevistei l\u00e1 [quando Santos esteve em Cuba, em 2017], \u00e9 uma releitura da estrategia do capitalismo ocidental.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de 1994 o pa\u00eds passa a adotar os princ\u00edpios da &#8220;agenda 21&#8221; , do desenvolvimento sustent\u00e1vel [resultado da ECO 92, ou Rio 92, documento que estabelece par\u00e2metros para o desenvolvimento sustent\u00e1vel em escala local, nacional e global]. Cuba vai aplicar todas as estrat\u00e9gias em voga no modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. Sem, entretanto, deixar de manter na m\u00e3o do Estado os principais meios de produ\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o o Estado cubano cria diversas alternativas para se manter como principal organizador dos meios de produ\u00e7\u00e3o. Ele continua sendo, de alguma forma, socialista, mas vai abrindo para o capital externo. Abre primeiro a possibilidade de capital misto, entre o Estado e o capital da Espanha, na \u00e1rea do turismo. E isso vai se intensificando at\u00e9 1998, quando se permite 100% de capital externo em Cuba.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o o modelo vai se abrindo e quando chega no ano de 2000, na virada do s\u00e9culo, Cuba est\u00e1 come\u00e7ando a crescer. Tem desemprego praticamente zero, a economia voltando a crescer e tal. E a\u00ed vai se implantar uma nova estrat\u00e9gia do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista que \u00e9 o tal do desenvolvimento local. <\/p>\n\n\n\n<p>Esse desenvolvimento local surge na Europa entre 1975 e 1980 para dar maior competitividade \u00e0s cidades europeias diante do fen\u00f4meno da globaliza\u00e7\u00e3o. Quando chega na Am\u00e9rica Latina, nos anos 80, a proposta de desenvolvimento local vai no sentido de tentar amenizar a mis\u00e9ria, o desemprego, e Cuba abra\u00e7a essa ideia do desenvolvimento local e passa a institu\u00ed-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed entram alguns setores que s\u00e3o bastante importantes para fazer valer o desenvolvimento local de l\u00e1. Que \u00e9 a Universidade, produzindo uma Ci\u00eancia, uma Tecnologia e uma Inova\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 feita nos par\u00e2metros da tecnologia capitalista. E a\u00ed entra a aproxima\u00e7\u00e3o com a minha tese [de doutorado], porque da\u00ed a gente fala aqui [no Brasil] em tecnologia convencional capitalista. No final dos anos 90, surge no Brasil a proposta da tecnologia social com Renato Dagnino, Rafael Dias, Henrique Novaes, etc. O que a gente pode dizer que tem em Cuba? Ser\u00e1 que a gente pode dizer que o que existe em Cuba \u00e9 uma &#8220;tecnologia socialista&#8221;? N\u00e3o, porque eles partem da ideia de que a tecnologia \u00e9 neutra, e que pode ser usada para o capitalismo ou para o socialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>As estrategias de ger\u00eancia aplicadas no capitalismo tamb\u00e9m podem ser aplicadas no socialismo e a\u00ed o que a gente tem em Cuba \u00e9 uma readequa\u00e7\u00e3o da tecnologia capitalista \u00e0 proposta socialista. Esse desenvolvimento sustent\u00e1vel vai produzir, atrav\u00e9s da Universidade, uma tecnologia que se volta para os interesses da popula\u00e7\u00e3o, uma ci\u00eancia voltada para l\u00e1 e uma inova\u00e7\u00e3o voltada para os interesses das localidades. E a\u00ed se desenvolve em Cuba o desenvolvimento local sustent\u00e1vel cubano. A\u00ed est\u00e1 o grande lance: ao mesmo tempo Cuba passa a ter uma caracter\u00edstica de ser socialista, porque mant\u00e9m os meios de produ\u00e7\u00e3o sob propriedade estatal, com algumas pr\u00e1ticas capitalistas, como a proposta do desenvolvimento local sustent\u00e1vel, que vem com toda a bagagem capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa reconfigura\u00e7\u00e3o a gente vai perceber uma Cuba que se reinventa, que se redescobre, atrav\u00e9s da ressignifica\u00e7\u00e3o daquilo que o capitalismo coloca. A gente identifica l\u00e1 a economia solid\u00e1ria, que \u00e9 tamb\u00e9m um vi\u00e9s da produ\u00e7\u00e3o capitalista, a gente v\u00ea a tecnologia social e isso tudo brotando em prol do desenvolvimento local sustent\u00e1vel cubano. Ent\u00e3o ela d\u00e1 esse salto, no sentido de possibilitar que as comunidades tenham maior autonomia.<\/p>\n\n\n\n<p>O que \u00e9 um avan\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o a tudo aquilo que o Partido Comunista colocou desde 1975, quando se coloca o Estado como principal agente do desenvolvimento, que tudo dali em diante passaria pelo Estado, inclusive as organiza\u00e7\u00f5es sindicais, as associa\u00e7\u00f5es, as cooperativas, tudo abaixo do partido. Quando chega 2011 em diante o que o partido faz? Ele agiliza ou incentiva a forma\u00e7\u00e3o do desenvolvimento local, que possibilita uma maior autogest\u00e3o daquela comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed vem um novo avan\u00e7o, uma nova perspectiva, que est\u00e1 em conflito hoje em dia, n\u00e9?, porque tem os mais conservadores, que querem manter sob o Estado todo o desenvolvimento da comunidade e tem aqueles que dizem que n\u00e3o, quanto mais autogest\u00e3o tiver melhor ser\u00e1 para o pr\u00f3prio socialismo. Ent\u00e3o Cuba est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o em que se reivindica, por parte da popula\u00e7\u00e3o, mais autogest\u00e3o, mais democracia, mais autonomia, enquanto h\u00e1 setores dizendo &#8220;N\u00e3o, o Estado tem que controlar tudo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A gente est\u00e1 nessa situa\u00e7\u00e3o de &#8216;para onde vai o socialismo cubano?&#8217;. Nesse momento o que a gente pode dizer? S\u00f3 o futuro vai dizer, a hist\u00f3ria vai dizer para onde vai o socialismo cubano, porque ele est\u00e1 numa linha muito t\u00eanue, na medida em que ele se utiliza de estrat\u00e9gias capitalistas: ou ele consegue sobreviver e fazer dessas propostas que vem do capitalismo um vi\u00e9s para o socialismo ou ele cai nas garras do capitalismo e finda o socialismo. Ent\u00e3o \u00e9 esse momento, mais ou menos, que est\u00e1 a\u00ed. Em r\u00e1pidas palavras, para gente come\u00e7ar a conversa, seria esse o quadro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SINASEFE Litoral (SL): O Sr. passou um m\u00eas l\u00e1 pesquisando, pode falar para gente um pouco mais dessa experi\u00eancia? Em quais cidades esteve, o que \u00e9 poss\u00edvel falar estando l\u00e1 presencialmente, o qu\u00ea te surpreendeu ou o que confirmou o que o Sr. j\u00e1 pensava\u2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nelson Garcia Santos (NGS):<\/strong> A primeira vez que eu estive em Cuba foi em 1995, naquele &#8220;per\u00edodo especial em tempo de paz&#8221;, em que havia muita fome, em que havia problemas s\u00e9rios. Quando eu fui em 2017 eu encontrei uma outra realidade. Uma situa\u00e7\u00e3o em que n\u00e3o existe mais o per\u00edodo especial, em que voc\u00ea consegue alugar um apartamento, ter outros v\u00ednculos que n\u00e3o aquele de turista. <\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea consegue penetrar mais junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 ali no dia a dia. Ent\u00e3o eu conheci os mercados onde as pessoas compram seus hortifrutigranjeiros, a gente consegue ter acesso a restaurantes que n\u00e3o apenas para o setor de turismo. Ent\u00e3o agora em 2017 foi uma realidade muito mais pr\u00f3xima da popula\u00e7\u00e3o do que em 1995, quando eu estava mais no \u00e2mbito do turismo, at\u00e9 porque n\u00e3o se tinha acesso \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de uma forma geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando eu cheguei l\u00e1 eu tive oportunidade de conhecer uma dentista, que foi a pessoa que me possibilitou alugar um apartamento, conheci a m\u00e3e dela que era uma trabalhadora na \u00e9poca da revolu\u00e7\u00e3o socialista, trabalhou numa f\u00e1brica apropriada pela Revolu\u00e7\u00e3o Cubana e era engenheira qu\u00edmica, numa f\u00e1brica que produzia pneus. Ent\u00e3o o apartamento dela tinha sido dado pelo Che Guevara em homenagem a ela em fun\u00e7\u00e3o dela ter se disposto \u00e0 trabalhar como trabalhadora volunt\u00e1ria, uma categoria que surgiu ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o, do trabalhador volunt\u00e1rio, aquele que trabalha al\u00e9m das horas necess\u00e1rias. Uma forma que dentro do socialismo aparece como uma dedica\u00e7\u00e3o diferente do trabalhador. Ent\u00e3o ela estava l\u00e1 no seu apartamento, dado pelo Che Guevara, que foi Ministro da Ind\u00fastria.<\/p>\n\n\n\n<p>Tive a oportunidade de entrevistar v\u00e1rias pessoas, professores importantes do setor universit\u00e1rio, como o Jorge Nu\u00f1ez, um <em>expert<\/em> na quest\u00e3o da tecnologia, Manoel Limonta, que fundou, junto com Fidel Castro, o centro de estudos em biotecnologia. Tive a oportunidade de entrevistar um jornalista maravilhoso chamado Pedro Martinez, vice-diretor da R\u00e1dio de Havana, que me indicou v\u00e1rias pessoas para conversar em Havana. Enfim, foi um contato maravilhoso e com muitas entrevistas, com muitas idas \u00e0 Universidade, com a possibilidade de ter ido a Pinar del R\u00edo, uma cidade que fica 150 km ao sul de Havana, para conhecer uma experi\u00eancia de turismo auto-sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o bastante grande com a quest\u00e3o ambiental e foram as duas cidades que eu estive, Havana e Pinar del R\u00edo, entrevistando gente da Universidade, gente do jornalismo, gente vinculada \u00e0 tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed a gente pode conhecer algumas estrat\u00e9gias da Universidade voltadas n\u00e3o para uma tecnologia <em>&#8216;high tech&#8217;<\/em>, uma tecnologia de ponta, mas uma tecnologia que se volta para os interesses e \u00e0 solu\u00e7\u00e3o de problemas de comunidades, de pessoas. Problema de \u00e1gua, problema de alimenta\u00e7\u00e3o. Conhecemos algumas experi\u00eancias na \u00e1rea da Agricultura, do enriquecimento de sementes, que n\u00e3o trabalha com transg\u00eanico, mas em uma perspectiva ambientalmente correta.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, Havana, com o desenvolvimento tur\u00edstico dos \u00faltimos tempos, tem tido tamb\u00e9m um impacto ambiental, principalmente no que diz respeito \u00e0 falta de estrutura na coleta de lixo. Ent\u00e3o a gente v\u00ea muitos problemas, como na Avenida Malecon, a principal de Havana, de frente para o oceano, em que as pessoas v\u00e3o ao final da tarde e jogam ali mesmo na orla a sua latinha de refrigerante ou de cerveja, o seu pl\u00e1stico. H\u00e1 um problema de recolhimento, de tratamento de lixo, bastante forte, uma situa\u00e7\u00e3o bastante prec\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Um problema de polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica por conta dos carros e dos \u00f4nibus antigos, \u00e0 diesel ou com a gasolina que vem da Venezuela, que n\u00e3o \u00e9 uma gasolina boa, \u00e9 uma gasolina que polui muito. Ent\u00e3o voc\u00ea tem aqueles carros velhos, aqueles \u00f4nibus velhos, com muita fuma\u00e7a, muita polui\u00e7\u00e3o, que causa um efeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Se hoje a ilha est\u00e1 conseguindo resolver o problema da soberania alimentar, se est\u00e1 conseguindo resolver o problema de emprego, os problemas no \u00e2mbito mais econ\u00f4mico, a quest\u00e3o ambiental ainda \u00e9 um problema que precisa de solu\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas. Mas isso est\u00e1 muito concentrado em Havana, nas outras regi\u00f5es n\u00e3o h\u00e1 esse impacto ambiental t\u00e3o forte.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SL: Nelson, voc\u00ea falou desse processo que est\u00e1 acontecendo, de disputa em torno de uma centraliza\u00e7\u00e3o maior ou uma descentraliza\u00e7\u00e3o, de uma autonomia maior. E voc\u00ea falou que n\u00e3o d\u00e1 para saber para onde Cuba vai, n\u00e9? Essa quest\u00e3o da autogest\u00e3o, como ela casa com a mudan\u00e7a na pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o com os meios de produ\u00e7\u00e3o. Ela pode ser bonita, mas como ela caminha para uma rela\u00e7\u00e3o dentro das bases do socialismo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>NGS:<\/strong> Bom, eu vou voltar um pouquinho para falar um pouco de uma caracter\u00edstica muito particular de Cuba, na produ\u00e7\u00e3o da solu\u00e7\u00e3o dos seus problemas. Algo que foi institu\u00eddo principalmente a partir dos anos 80, o F\u00f3rum de Ci\u00eancia e T\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o as escolas, os hospitais, as ind\u00fastrias, o setor de servi\u00e7os, tem esse F\u00f3rum. Que come\u00e7a no munic\u00edpio, no bairro, na sua organiza\u00e7\u00e3o de base dentro de uma empresa, de um hospital, dentro de alguma institui\u00e7\u00e3o, em que se detecta um problema que tem que ser resolvido por eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o eles tem ali, j\u00e1 no seu dia a dia, que solucionar os problemas locais. Devido \u00e0s crises dos bloqueios tanto estadunidense como da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, eles tiveram que arranjar solu\u00e7\u00f5es para os seus problemas, isso d\u00e1 uma caracter\u00edstica de autogest\u00e3o para solucionar os problemas bastante grande, porque eles t\u00eam que dar conta. <\/p>\n\n\n\n<p>Assim, &#8220;n\u00f3s temos aqui um problema, n\u00e3o h\u00e1 reposi\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as, n\u00e3o temos como trazer a pe\u00e7a de fora, n\u00e3o temos como comprar maquin\u00e1rio novo e n\u00f3s temos de solucionar esse problema. O que n\u00f3s vamos fazer? Vamos achar a solu\u00e7\u00e3o&#8221;. \u00c0s vezes aquela solu\u00e7\u00e3o dada numa escola, em um hospital, em uma empresa, de uma determinada localidade pode chegar a ser implantada em \u00e2mbito nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o voc\u00ea tem essa pr\u00e1tica, pelo F\u00f3rum de Ci\u00eancia e T\u00e9cnica, de uma experi\u00eancia autogestion\u00e1ria na solu\u00e7\u00e3o dos problemas. Isso \u00e9 caracter\u00edstico da organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, que tem que dar conta da solu\u00e7\u00e3o dos problemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Simultaneamente a isso, conjuntamente a isso, h\u00e1 uma interven\u00e7\u00e3o muito forte do Partido e do Estado, que enquanto o trabalhador est\u00e1 dando conta de resolver os seus problemas quem est\u00e1 decidindo pol\u00edtica e economicamente as coisas \u00e9 o Estado, atrav\u00e9s do Partido. Quando a gente fala que h\u00e1 possibilidade de construir uma perspectiva mais autogestion\u00e1ria \u00e9 no \u00e2mbito do local, \u00e9 a proposta que traz o desenvolvimento local, que se apoia na economia solid\u00e1ria e na tecnologia social.<\/p>\n\n\n\n<p>Em que a popula\u00e7\u00e3o, os trabalhadores, tem que ter essa capacidade de decidir sobre os seus rumos. N\u00e3o a partir de uma perspectiva de fora, mas a partir de uma perspectiva local. E o Estado contribui para isso na medida que \u00e9 uma pol\u00edtica de Estado a implanta\u00e7\u00e3o do desenvolvimento local, ele est\u00e1 fazendo com que em todas as localidades, que aquelas pessoas envolvidas em determinadas situa\u00e7\u00f5es deem conta de resolver o seu problema. Aquela municipalidade tem que ser sustent\u00e1vel, o Estado est\u00e1 desenvolvendo essa pol\u00edtica que, de alguma forma, pode cambiar para um avan\u00e7o bastante forte de uma organiza\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria e cooperativa socialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, Cuba n\u00e3o est\u00e1 isolada do mundo. Ela vive um bloqueio estadunidense, vive a press\u00e3o do Donald Trump, a press\u00e3o do governo brasileiro, ela est\u00e1 muito isolada. Ent\u00e3o a proposta existente de desenvolvimento local por meio da economia solid\u00e1ria e da tecnologia social, de dar condi\u00e7\u00f5es para que ela se torne autossustent\u00e1vel pode esbarrar nas for\u00e7as que vem de fora. <\/p>\n\n\n\n<p>Se o Estado n\u00e3o tiver for\u00e7a para barrar a press\u00e3o que vem de fora todo o avan\u00e7o que est\u00e1 vindo da Comunidade pode ser minado. Se o Estado tiver for\u00e7a para resistir a essa press\u00e3o e, nos \u00e2mbitos das suas comunidades mais agr\u00edcolas, at\u00e9 nas comunidades mais rurais, conseguir implantar o desenvolvimento local e a autonomia a gente pode ter o desenvolvimento de um socialismo sobre nova fei\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o aquele socialismo sovi\u00e9tico liderado por um partido, mas em que as pessoas de base consigam fazer suas organiza\u00e7\u00f5es, suas cooperativas, suas formas de autogest\u00e3o, separada de uma amea\u00e7a capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e9 o que eu digo, isso s\u00f3 o tempo dir\u00e1. Se o povo cubano vai conseguir vencer as press\u00f5es externas, principalmente de bloqueio estadunidense, ou se ele vai se entregar a essas press\u00f5es. Ent\u00e3o eu acho que \u00e9 um momento de uma encruzilhada bastante forte em que a gente n\u00e3o sabe dizer ainda o que est\u00e1 por vir.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SL: O Sr. poderia falar um pouco mais de uma dessas cooperativas, como \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o, qual a caracteriza\u00e7\u00e3o de uma dessas cooperativas\u00a0em\u00a0Cuba?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>NGS: <\/strong>Eu <a href=\"https:\/\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/noticias\/06-06-papel-das-cooperativas-na-revolucao-cubana-e-tema-de-debate-na-furb\/\">refor\u00e7o o convite para o dia 6<\/a>, quando a Joana [Sal\u00e9m Vasconcelos] que \u00e9 uma <em>expert<\/em> na quest\u00e3o das cooperativas, principalmente as cooperativas agr\u00edcolas. Nessa viagem \u00e0 Cuba eu conheci duas experi\u00eancias de cooperativas urbanas, que ficam em Havana. A cooperativa de confec\u00e7\u00f5es &#8216;Model&#8217;, que faz camisa, avental, uniforme para os trabalhadores. <\/p>\n\n\n\n<p>Ela \u00e9 de quarenta mulheres e decorre de uma situa\u00e7\u00e3o em que a f\u00e1brica era estatal e o Estado disse que iria fechar a f\u00e1brica. A\u00ed as trabalhadoras dizem &#8216;n\u00e3o, deixa que a gente banca isso aqui&#8217;. Ent\u00e3o s\u00e3o as cooperativas n\u00e3o de ocupa\u00e7\u00e3o de f\u00e1brica, como acontece aqui, mas de estatais falidas. Os trabalhadores assumem, n\u00e3o precisam participar de edital, nada, eles v\u00e3o l\u00e1, dizem que querem tentar e o Estado d\u00e1 um aval, injeta algum dinheiro e os trabalhadores tentam recuperar aquela f\u00e1brica.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa confec\u00e7\u00e3o existe desde 2013 e est\u00e1 se dando super bem. \u00c9 a principal fabricante das camisas caracter\u00edsticas de Cuba, as <em>guayaberas<\/em>, que \u00e9 a principal produ\u00e7\u00e3o dessa cooperativa, al\u00e9m de fazer diversos tipos de uniformes. S\u00e3o quarenta mulheres e alguns homens divididos entre as costureiras que s\u00f3 fazem a <em>guayabera<\/em>, uma m\u00e3o de obra especializada, e que vai descendo em n\u00edveis internos A, B, C e D, sendo que a D seria que faz de tudo um pouco menos a <em>guayabera<\/em>. Todos participam da divis\u00e3o do dinheiro, sendo que tem quem recebe mais e quem recebe menos. Por exemplo, as costureiras da Classe A recebem mais porque tem mais demanda e fazem um tipo de trabalho espec\u00edfico. Mas tudo de acordo com a produ\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 um patr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma parte vai para investir na pr\u00f3pria cooperativa, uma parte fica guardado para o final do ano, que conta d\u00e9cimo terceiro e tamb\u00e9m a festa cultural de fim de ano, uma parte para contribuir com o desenvolvimento local e o restante do dinheiro ent\u00e3o \u00e9 dividido entre os trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu conheci tamb\u00e9m uma cooperativa de um restaurante e doceria. Essa j\u00e1 uma cooperativa diferente, que surge a partir de um edital do governo. O governo diz &#8220;no pr\u00e9dio tal ser\u00e1 aberto edital para constitui\u00e7\u00e3o de uma cooperativa, apresentem suas propostas&#8221;. Ent\u00e3o quatro s\u00f3cios, cinco s\u00f3cios, dez s\u00f3cios montam uma proposta, um projeto de atua\u00e7\u00e3o. E, nesse caso, o vencedor foi um grupo de quatro pessoas que criaram essa cooperativa, conseguiram atrav\u00e9s do banco estatal cubano financiamento necess\u00e1rio para investir na cooperativa e a partir da\u00ed eles come\u00e7am a aglutinar pessoas para trabalhar juntos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017 a cooperativa tinha 230 s\u00f3cios. O que eles fazem? Eles v\u00e3o l\u00e1 e dizem &#8220;eu quero me associar \u00e0 cooperativa, eu gosto de trabalhar como gar\u00e7om, ou como copeira, chapeiro, etc.&#8221; A\u00ed, dentro dessa fun\u00e7\u00e3o a pessoa passa tr\u00eas meses trabalhando at\u00e9 poder se associar. Trabalhou aquele tempo vira s\u00f3cio. Todas as decis\u00f5es s\u00e3o tomadas coletivamente, em assembleia uma vez por m\u00eas. E a\u00ed ent\u00e3o eles s\u00e3o respons\u00e1veis pela compra da mat\u00e9ria-prima, pela transforma\u00e7\u00e3o, eles determinam o hor\u00e1rio de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa cooperativa, que \u00e9 fundamentalmente para o turismo, eles trabalham 12 horas e descansam 36. A\u00ed eles v\u00e3o ter, dentro desses duzentos e tantos s\u00f3cios, uma escala de trabalho. Todos recebem de acordo com a sua fun\u00e7\u00e3o, quem \u00e9 da cozinha vai ganhar um X, quem \u00e9 gar\u00e7om vai ganhar outro e por a\u00ed vai.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas eu acho que no dia 6 a Joana Sal\u00e9m Vasconcelos vai falar muito mais dos outros tipos de cooperativas. Na minha tese eu trato das cooperativas agr\u00edcolas, desde a sua forma\u00e7\u00e3o, n\u00f3s temos l\u00e1 tr\u00eas ou quatro tipos de cooperativas que se constitu\u00edram ao longo da hist\u00f3ria cubana.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a principal, assim, que n\u00e3o \u00e9 uma cooperativa, mas que aglutina as cooperativas agr\u00edcolas \u00e9 a Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Pequenos Agricultores, a ANAP.  Que vem, desde os anos 60, fazendo um papel muito importante na organiza\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o dos agricultores e que a partir de 1997 come\u00e7a a implantar na regi\u00e3o agr\u00edcola os princ\u00edpios da agroecologia. Ent\u00e3o tamb\u00e9m tem toda uma hist\u00f3ria bastante bonita do pessoal da ANAP, que vale a pena conhecer.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"725\" height=\"1024\" data-attachment-id=\"3982\" data-permalink=\"https:\/\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/noticias\/debates-marcam-60-anos-da-revolucao-cubana-em-blumenau\/attachment\/ciclo-de-debates-60-anos-revolucao-cuba\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Ciclo-de-Debates-60-anos-Revolucao-Cuba.png?fit=1123%2C1587&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1123,1587\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Ciclo de Debates 60 anos Revolucao Cuba\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Ciclo-de-Debates-60-anos-Revolucao-Cuba.png?fit=770%2C1088&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Ciclo-de-Debates-60-anos-Revolucao-Cuba.png?fit=725%2C1024&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Ciclo-de-Debates-60-anos-Revolucao-Cuba.png?resize=725%2C1024&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-3982\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Ciclo-de-Debates-60-anos-Revolucao-Cuba.png?resize=725%2C1024&amp;ssl=1 725w, https:\/\/i0.wp.com\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Ciclo-de-Debates-60-anos-Revolucao-Cuba.png?resize=106%2C150&amp;ssl=1 106w, https:\/\/i0.wp.com\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Ciclo-de-Debates-60-anos-Revolucao-Cuba.png?resize=770%2C1088&amp;ssl=1 770w, https:\/\/i0.wp.com\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Ciclo-de-Debates-60-anos-Revolucao-Cuba.png?resize=768%2C1085&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Ciclo-de-Debates-60-anos-Revolucao-Cuba.png?resize=600%2C848&amp;ssl=1 600w, https:\/\/i0.wp.com\/www.sinasefe-ifc.org\/litoral\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Ciclo-de-Debates-60-anos-Revolucao-Cuba.png?w=1123&amp;ssl=1 1123w\" sizes=\"(max-width: 725px) 100vw, 725px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>SL: O Sr. poderia tamb\u00e9m falar um pouco mais sobre o ciclo de debates. De onde surgiu a ideia, como que se chegou nesses convidados e nesses temas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>NGS: <\/strong>Ent\u00e3o esse ano se completam os sessenta anos da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, que ocorreu em 1\u00ba de janeiro de 1959, quando o Fulgencio Batista foge e o governo revolucion\u00e1rio entra. Ent\u00e3o n\u00f3s estamos comemorando nesse ano de 2019 os 60 anos da revolu\u00e7\u00e3o. O semestre foi andando e eu percebi que ningu\u00e9m estava fazendo nada, n\u00e3o tava botando na roda essa discuss\u00e3o. Foi onde eu comecei a estabelecer alguns contatos, com o Instituto de Estudos Latino-americanos, o IELA, da UFSC. Da\u00ed ent\u00e3o, em conversa com o professor Waldir Rampinelli ele achou interessante, se prontificou a vir. Conheci, atrav\u00e9s das leituras feitas e de pesquisa bibliogr\u00e1fica para tese os trabalhos realizados pela Joana Vasconcelos e a\u00ed ent\u00e3o mantive contato com ela, que tamb\u00e9m achou interessante a ideia da celebra\u00e7\u00e3o desses sessenta anos. Na FURB n\u00f3s temos um professor cubano, que \u00e9 o Adolfo Lamar, e quando eu procurei ele para vir falar ele indicou outras pessoas, entre eles o Edwin Pitre, que \u00e9 quem vai falar no dia 7 de julho sobre a m\u00fasica afro-cubana no processo de constru\u00e7\u00e3o da identidade revolucion\u00e1ria. Ent\u00e3o foi assim, foi uma coisa que estava latente e que coube a mim foi tomar a iniciativa, conversar com algumas pessoas e &#8216;deu liga&#8217; para construir essa comemora\u00e7\u00e3o, ou, ao menos, a lembran\u00e7a dos 60 anos da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, que \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds socialista da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu acho que n\u00f3s temos o que aprender com eles, eles t\u00eam o que aprender com a gente. E a gente tem que estar nessa troca. A\u00ed o evento saiu nessa perspectiva, contactando pessoas que gostam de tratar sobre Cuba, que tem uma perspectiva de horizonte de superar a perspectiva capitalista. E a\u00ed veio o Waldir Rampinelli, que \u00e9 historiador e trouxe uma no\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica interessant\u00edssima. O Professor Ivo Theis, que tamb\u00e9m desenvolve estudos sobre Am\u00e9rica Latina aqui [na FURB, em Blumenau] e tem um bom conhecimento sobre Cuba. A Joana, que estuda as cooperativas, e, enfim, a m\u00fasica afro-cubana, para gente terminar com m\u00fasica. O \u00faltimo encontro vai ser uma sexta-feira e vamos terminar com m\u00fasica cubana. O Edwin \u00e9 m\u00fasico, vai trazer instrumentos e tal e a gente vai ter essa experi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas dos eventos que eu organizei foi dos mais f\u00e1ceis de construir, porque estava a\u00ed latente mas que n\u00e3o tinha quem disponibilizasse algumas horas para se dedicar. Eu agrade\u00e7o aqui ao Sindicato, que foi important\u00edssimo nisso. O N\u00facleo de Pesquisa em Desenvolvimento Regional, que \u00e9 coordenado pelo professor Ivo, e o N\u00facleo de Estudos e Pesquisas em Economia Solid\u00e1ria e Trabalho, do professor Valmor Schiochet, que tamb\u00e9m ajudou nesse processo de vinda das pessoas  para c\u00e1 [Blumenau].<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o no dia 6 de junho tem o pen\u00faltimo encontro, sobre a quest\u00e3o das cooperativas, e no dia 7 de julho sobre m\u00fasica afro-cubana na constru\u00e7\u00e3o da identidade socialista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SL: Para finalizar eu queria ir nessa linha da constru\u00e7\u00e3o da identidade. Nos processos revolucion\u00e1rios que ocorreram h\u00e1 mais tempo, como em Cuba, ou para dar outro exemplo, na China, existe um processo de gera\u00e7\u00f5es j\u00e1 imersas numa sociedade socialista. Como \u00e9 que se pode caracterizar essa quest\u00e3o da identidade, existem valores diferentes entre as pessoas por uma sociedade caminhar para o socialismo? Quer dizer, a ideia da constru\u00e7\u00e3o &#8220;do homem e da mulher socialista&#8221; passa por ter mais solidariedade, empatia\u2026 isso \u00e9 palp\u00e1vel, \u00e9 vis\u00edvel em Cuba, ou \u00e9 uma utopia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>NGS:<\/strong> Eu vou resgatar aqui a fala do professor Waldir Rampinelli, do nosso primeiro encontro, em que ele diz que n\u00e3o se pode pensar a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana a curto prazo. Ela \u00e9 um processo. O socialismo n\u00e3o est\u00e1 implantado ainda em Cuba, est\u00e1 num processo de transi\u00e7\u00e3o do capitalismo e de constru\u00e7\u00e3o do socialismo. Por isso que a gente n\u00e3o sabe o que est\u00e1 por vir, porque o socialismo n\u00e3o est\u00e1 implantado. Se o capitalismo vingar em Cuba n\u00e3o \u00e9 porque acabou o socialismo, mas porque o processo de transi\u00e7\u00e3o n\u00e3o culminou no socialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o a gente tem que pensar o processo a longo prazo, e, como disse o professor Rampinelli: a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana n\u00e3o come\u00e7ou em 1959. Ela come\u00e7a com Jos\u00e9 Mart\u00ed, em 1892, quando ele come\u00e7a a implantar um processo revolucion\u00e1rio de liberta\u00e7\u00e3o da Espanha. Nesse processo,  Ent\u00e3o vem os Estados Unidos, vence a guerra, derrota a Espanha e faz de Cuba uma nova col\u00f4nia estadunidense. <\/p>\n\n\n\n<p>Nesse processo de col\u00f4nia estadunidense l\u00e1 em 1901 se criou a sua primeira constitui\u00e7\u00e3o, quando os Estados Unidos exigiram que tivesse uma Emenda, chamada Emenda Platt, que permitia aos Estados Unidos invadir em qualquer momento militarmente a ilha quando ele achasse necess\u00e1rio. Em 1934 o povo cubano consegue tirar essa Emenda da Constitui\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o isso tudo j\u00e1 foi resist\u00eancia. Depois, em 1959, o povo cubano vai para a luta contra Fulgencio Batista, a revolu\u00e7\u00e3o foi altamente legitimada pela popula\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o voc\u00ea tem na hist\u00f3ria de Cuba uma identidade popular de constru\u00e7\u00e3o da luta anti-imperialista, que busca a desvincula\u00e7\u00e3o com o colonialismo espanhol. Isso \u00e9 parte da identidade do povo cubano, a sua soberania.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o governo revolucion\u00e1rio \u00e9 implantado o povo apoia esse governo, participa junto. Na medida em que o governo coloca como uma de suas primeiras a\u00e7\u00f5es a reforma agr\u00e1ria, a distribui\u00e7\u00e3o de terra para quem nela trabalha, o fim do ensino pago e o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade para todos, etc. <\/p>\n\n\n\n<p>Quer dizer, hoje um cubano n\u00e3o imagina, por mais que ele possa ser anticastrista, anti Fidel Castro ou Raul Castro, por mais que ele possa dizer que o que eles vivem n\u00e3o \u00e9 um socialismo, mas eles entendem assim &#8220;pensar em n\u00f3s sem educa\u00e7\u00e3o e sem sa\u00fade, a\u00ed n\u00e3o!&#8221;.  Isso \u00e9 caracter\u00edstico, ent\u00e3o h\u00e1 uma identidade constru\u00edda no processo revolucion\u00e1rio que faz com que eles tenham objetivos comuns de na\u00e7\u00e3o. Com educa\u00e7\u00e3o para todos, sa\u00fade para todos, com moradia, com as necessidades b\u00e1sicas custeadas pelo Estado. Essa identidade, e me parece que o Edwin vai mostrar muito bem esse lado, passa tamb\u00e9m pela perspectiva da m\u00fasica. Que \u00e9 uma m\u00fasica que vem de uma africaneidade, que vai constituir um tipo de integra\u00e7\u00e3o cujo ritmo contribui para isso. <\/p>\n\n\n\n<p>Eu passei um m\u00eas l\u00e1 em Cuba e as m\u00fasicas que eu escuto s\u00e3o cubanas! N\u00e3o precisa ter uma interfer\u00eancia cultural de um outro pa\u00eds. Embora tenha l\u00e1 de Miami mais de 100 r\u00e1dios com as antenas voltadas para Havana, voc\u00ea v\u00ea a popula\u00e7\u00e3o nos bares, na rua, tocando e escutando m\u00fasicas cubanas. Ent\u00e3o voc\u00ea tem essa paix\u00e3o que facilita com que as rela\u00e7\u00f5es sociais e as rela\u00e7\u00f5es de solidariedade, de cooperativismo, sejam mais vis\u00edveis. <\/p>\n\n\n\n<p>Eu passei um m\u00eas l\u00e1, todo dia na rua, seja durante o dia ou a noite, passeando, indo buscar entrevistas, e voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea ningu\u00e9m sendo atacado, n\u00e3o v\u00ea gente pedindo esmola, n\u00e3o ouve tiro nem v\u00ea algu\u00e9m correndo porque foi amea\u00e7ado de roubo\u2026 \u00c9 uma outra realidade, que faz com que as coopera\u00e7\u00f5es circulem mais livremente entre as pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa identidade vem das cooperativas, que foram criadas logo depois da revolu\u00e7\u00e3o, das cooperativas agr\u00edcolas, dos processos de reforma agr\u00e1ria, do per\u00edodo especial em tempo de paz, que fez com que muitas pessoas sofressem e nesse sofrimento recebessem muitas ajudas. Tudo isso constitui um povo que se mant\u00e9m unido em prol de uma organiza\u00e7\u00e3o social, que n\u00e3o \u00e9 voltada para o lucro, que n\u00e3o \u00e9 voltada para o enriquecimento individual, para essa perspectiva mais nossa, individualista do capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro que existe tamb\u00e9m o individualista, aquele que quer enriquecer mais do que o outro. Existe, \u00e9 uma ilha mas n\u00e3o \u00e9 isolada. Tem rela\u00e7\u00e3o com o restante do mundo. <\/p>\n\n\n\n<p>Na ilha tamb\u00e9m se quer uma internet melhor, se quer ter melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, tudo isso est\u00e1 presente l\u00e1. Mas, o princ\u00edpio daquilo que foi a revolu\u00e7\u00e3o, que vem de Jos\u00e9 Mart\u00ed, que vem depois com Fidel, que vem construindo o socialismo, prepara as pessoas para uma solidariedade e uma perspectiva de coopera\u00e7\u00e3o bem maior do que a nossa. Ent\u00e3o eu acho que a gente tem que aprender com eles como se d\u00e1 essa rela\u00e7\u00e3o de cooperativismo e de solidariedade que aqui a gente tem muito pouco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista, professor Nelson Garcia Santos aborda temas da revolu\u00e7\u00e3o cubana e do ciclo de debates sobre o tema que est\u00e1 ocorrendo em 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