
Entre os dias 26 e 29 de março, o Sinasefe Litoral esteve representado na 1ª Conferência Internacional Antifascista Pela Soberania dos Povos, realizada em Porto Alegre (RS). O evento surgiu este ano como um ato político urgente de resistência coletiva diante do avanço global da extrema-direita e da escalada autoritária que ameaça direitos, liberdades e a própria democracia.
Organizada por forças antifascistas de diversos países, a conferência contou com painéis temáticos plurais e participativos, além de atividades autogestionadas. O objetivo central foi fortalecer movimentos sociais, sindicais, a juventude e a militância popular na construção de alternativas concretas de solidariedade internacional e de combate ao fascismo.
Como ato inicial, os participantes ocuparam as ruas com uma Marcha de Abertura no Largo Glênio Peres, em frente ao Mercado Público. A programação dialogou diretamente com os principais desafios políticos, sociais e econômicos da atualidade: a ascensão da extrema-direita, o avanço do imperialismo, as mudanças climáticas e as múltiplas formas de resistência dos povos.
A participação do Sinasefe Litoral reafirma a importância do sindicato no cenário político atual e atende à deliberação da 207ª PLENA do SINASEFE, que convocou sua base a integrar as atividades da conferência.
Servidores relatam suas experiências
Diego Rodrigues Cezar, servidor sindicalizado do campus Brusque, considera essencial a participação do Sinasefe Litoral na Conferência Internacional Antifascista. “É uma forma de conectar a nossa luta local com um movimento muito maior, de caráter internacional. A conferência reuniu gente de mais de 40 países, de todos os continentes, mostrando que existe uma articulação global contra o avanço do fascismo, da extrema-direita e do imperialismo; temas que afetam diretamente as instituições públicas e os direitos dos trabalhadores aqui também”, afirma.
Leonardo Rocha de Almeida, servidor sindicalizado do campus São Bento do Sul, acredita que a participação de uma delegação do sindicato no evento reforça o posicionamento que vem sendo construído pela seção Litoral na luta antifascista e por uma educação libertadora. Ele destaca que a diversidade de nacionalidades foi um dos pontos altos do encontro. “Poder ter esse contato internacional com pessoas que trouxeram experiências de outros espaços do mundo nos faz perceber o quanto a luta é necessária. Às vezes, pela mídia, achamos que certos problemas só acontecem aqui; mas, ao escutar os relatos, percebemos como as situações se repetem em diferentes contextos geográficos. Por isso, precisamos unir forças para ter unidade nas ações”, defende.
Diego ambém chamou a atenção para a diversidade de vozes e a força da articulação internacional. “Não ficou só na política partidária. Os debates foram bem mais amplos. Se falou bastante sobre o enfrentamento ao capitalismo racista e ao colonialismo, a defesa da soberania dos povos e a solidariedade internacional, com destaque para a causa palestina e outros territórios em conflito. Também teve um debate importante sobre a dívida pública e como esse endividamento impacta diretamente o financiamento de serviços essenciais, como a educação”, explica.
Educação emancipadora
De acordo com Diego, “a educação apareceu como ferramenta de emancipação e resistência”, com debates sobre educação popular, com experiências de cursinhos pré-vestibular e a defesa das cotas raciais. “Também se discutiu o direito à educação como política pública e a luta contra a mercantilização do ensino”, conta. “Outro ponto interessante foi a ideia da cultura como instrumento de luta; como forma de formar consciência e enfrentar tanto o fascismo quanto a colonização cultural”, complementa.
O que você traz na bagagem para a sua base?
Diego: “Primeiro, a ideia de organização mais horizontal, com atividades autogestionadas. Isso pode ajudar muito a tornar nossas assembleias e espaços mais dinâmicos e participativos. Segundo, a importância de fortalecer a mobilização constante da base, conectando as pautas locais com as lutas nacionais, como nos dias de paralisação. A experiência reforça a necessidade de mobilização constante, como o Dia Nacional de Paralisação, integrando a base nas discussões nacionais sobre o cumprimento de acordos de greve e defesa da carreira. E, por fim, a noção de que a luta pela educação pública não anda sozinha, ela está diretamente ligada às pautas feministas, antirracistas e ambientais. Isso aponta para um sindicato mais forte, mais diverso e mais combativo”.
Leonardo: “O que eu trago de bagagem é exatamente a gente poder ter uma visão mais plural sobre o que está acontecendo e poder contribuir nas discussões. Principalmente agora, que vemos que várias questões do acordo de greve não estão sendo cumpridas conforme o acordado, precisamos entender as estratégias de luta que estão sendo feitas no mundo. Isso ajuda a pensar quais seriam as melhores estratégias tanto para unificar e fortalecer nossa base, quanto para colaborar em uma perspectiva nacional e, no caso do evento, mundial”.
Outro tema marcante para Leonardo foi a mesa sobre agroecologia. “Por ser do Rio Grande do Sul e ter vivido a experiência da enchente, e também por ter visto outras enchentes em Santa Catarina, percebemos o quão importante é pensar nas questões climáticas”, explica. Conforme Leonardo, a agroecologia oferece uma alternativa ao modelo atual: “Ela traz a perspectiva de pensarmos não no modelo capitalista de uso da terra até o esgotamento, mas sim em entender como aquele espaço e clima funcionam para definir as melhores plantações. Essa visão difere muito do modelo capitalista e nos faz perceber que não é algo distante da nossa realidade; é uma pauta relevante que precisamos trazer para o debate”, conclui.
