Sinasefe Litoral participa do 38º CONSINASEFE, em Brasília (DF)

O Sinasefe Litoral participa do 38º CONSINASEFE, em Brasília (DF), com uma delegação formada por 10 servidores e servidoras, além de observadores. O congresso, que teve início nesta terça-feira (3) e segue até sábado (7), realizará as eleições simultâneas para o Conselho Fiscal, o Conselho de Ética e a 16ª Direção Nacional Colegiada do SINASEFE — todos com mandato para o biênio 2026-2028.

Sob o tema “Fortalecer o SINASEFE para defender a educação pública, a democracia, a soberania e a luta da classe trabalhadora contra o neoliberalismo e a extrema direita”, o evento reúne mais de 600 servidores e servidoras sindicalizados da Rede Federal de todo o país.

Logo após a mesa de abertura, a plenária debateu e votou um pedido de impugnação contra a delegação do Sinasefe Litoral. A tentativa de impugnação foi rejeitada por maioria, garantindo a participação da seção no congresso. Na sequência, o regimento interno foi aprovado com algumas alterações na programação.

Sonia Lamego realizou a defesa da delegação do Sinasefe Litoral durante o CONSINASEFE

Sonia Lamego realizou a defesa da delegação do Sinasefe Litoral durante o CONSINASEFE

O congresso seguiu com a primeira mesa temática, dedicada à Análise de Conjuntura e Organização Sindical. O debate reuniu cinco convidados: a deputada federal Erika Kokay (PT-DF); Francisco Freitas, técnico-administrativo em educação (TAE) do IFPB; Michel Torres, professor da USP; Theo Martins Lubliner, professor do IFS; e Vera Lúcia, ex-candidata à Presidência da República.

A cobertura completa do 38º CONSINASEFE pode ser acompanhada no site do Sinasefe Nacional, com fotos e textos produzidos pela equipe de comunicação do sindicato nacional. Já os registros em tempo real da atuação da delegação do Sinasefe Litoral estão sendo publicados no Instagram da seção.

Confira, a seguir, a síntese produzida pelo Sinasefe Nacional sobre as exposições da primeira mesa:

Composta por lideranças políticas, docentes e técnico-administrativos, a mesa de Conjuntura e organização sindical debateu os rumos da conjuntura nacional e internacional pós-eleitoral, convergindo na avaliação de que a vitória contra a extrema direita foi fruto de um histórico levante popular nas ruas e nas redes. Os debatedores enfatizaram que o neofascismo e a pressão do mercado financeiro continuam sendo ameaças ativas, defendendo a independência de classe e a rejeição de qualquer tipo de ajuste fiscal. De modo geral, as falas das(os) palestrantes reforçaram a necessidade urgente de organizar as bases para manter a pressão contínua pela esquerda sobre o governo, defendendo a recomposição orçamentária da educação e a defesa intransigente dos direitos sociais. Fizeram falas: Vera Lúcia (ex-candidata à Presidência), Theo Martins Lubliner (professor do IFS), Francisco Freitas (TAE do IFPB), Michel Torres (professor da USP) e Erika Kokay (deputada federal pelo PT-DF).

Vera Lúcia (ex-candidata à presidência) enfatizou que a vitória eleitoral contra a extrema direita foi um importante impulso para a classe trabalhadora, mas alertou que o bolsonarismo permanece politicamente vivo e só será derrotado definitivamente por meio da disputa ideológica e da ocupação contínua das ruas. Conectando o cenário brasileiro às mobilizações internacionais por moradia e direitos sociais (como na Europa), defendeu que avanços como o fim da escala 6×1, a reparação aos povos negros e indígenas, o combate às mudanças climáticas e a reestatização de empresas públicas só serão conquistados se os trabalhadores impuserem suas pautas de forma independente, organizando-se nos locais de trabalho sem se submeter às conciliações da frente ampla ou às pressões do mercado.

Theo Martins Lubliner (professor do IFS) alertou que o neofascismo não foi derrotado no Brasil e continua crescendo, citando a expansão da bancada de extrema direita no Congresso (com o avanço para 49 senadores) como uma ameaça concreta às conquistas sociais. O docente analisou os limites da aliança pragmática com setores da burguesia conservadora e defendeu a superação da estratégia “democrático-popular” em prol da construção de um verdadeiro poder popular. Criticando o engessamento do orçamento promovido pelo novo arcabouço fiscal e pelo pagamento de juros da dívida pública, sustentou que cabe ao SINASEFE organizar a mobilização de base e construir uma greve pela recomposição orçamentária para exercer a pressão necessária sobre o governo.

Francisco Freitas (TAE do IFPB) apontou a crise da hegemonia capitalista global e chamando atenção para a precarização do trabalho imposta pelas grandes corporações de tecnologia (Big Techs) e por sucessivas reformas trabalhistas e previdenciárias. O dirigente ressaltou que a vitória contra a extrema direita no segundo turno demonstrou a força da junção entre a mobilização nas redes digitais e a ocupação das ruas por estudantes e pela classe trabalhadora, que rejeitou a cartilha do ajuste fiscal. Por fim, defendeu que o papel do SINASEFE é não recuar e tensionar o governo pela esquerda, exigindo a reestruturação das carreiras, a recomposição salarial, a redução da jornada e a garantia de direitos.

Michel Torres (professor da USP) defendeu que a análise de conjuntura deve ser guiada pela razão e pela frieza científica para armar o movimento sindical de estratégias eficientes, destacando que a vitória eleitoral no segundo turno foi fruto de um levante cívico inédito, do ativismo digital e do resgate do trabalho de base. O professor alertou que, apesar da eleição de Lula, a esquerda não conquistou a hegemonia política e enfrenta um cenário de greves predominantemente defensivas e queda na taxa de sindicalização nacional. Ao destacar o SINASEFE por manter índices de filiação acima da média do país, defendeu que a entidade mantenha independência de classe em relação ao governo, recusando a postura de mera espectadora para transformar a mobilização das ruas em uma força unificada e permanente de pressão por avanços sociais.

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